segunda-feira, 18 de abril de 2011

Uma inquietação chamada Monografia


Gente, desde que mandei uma mensagem pra que vocês pensassem sobre o tema do trabalho de fim de curso, não paro de receber emails desesperados em busca de socorro. Bom, não sou expert no assunto, mas já escrevi uma monografia, alguns ensaios e uma dissertação, nenhum deles recebeu um Nobel ou outro premio qualquer - o que foi uma injustiça!!!  ;o) Mas esses trabalhos me deram alguma experiência e é isso que eu quero dividir com vocês num passo a passo bem rapidinho:

1º. não adianta me mandar email pedindo uma sugestão a partir do nada. Vocês precisam saber quais assuntos mais os interessam e os interessaram no decorrer do curso: lembremos aqui que uma monografia exige um estudo de aprofundamento. Imagina ter que estudar sobre algo que vocês acham chatíssimo! O trabalho não rende.

2º. a especialização de vocês é sobre filosofia e psicanálise, duas áreas que dialogam amplamente com muitos, muitos assuntos. Então, quando vocês me enviam um email dizendo assim:
   - o que você acha de trabalhar psicanálise, filosofia e moda?
Eu digo:
   - sim, é possível.
Ou quando vocês dizem:
   - o que você acha de trabalhar psicanálise, filosofia e história?
Eu digo:
   - sim, é possível.
Ou quando vocês dizem:
   - o que você acha de trabalhar psicanálise, filosofia e brincadeiras?
Eu digo:
   - hmmmm... sim, é possível.

Entendem que esse recorte é muito amplo e não diz quase nada da proposta de vocês? É necessário fechar um pouco mais. Por exemplo:

 
Uma dica é observar os títulos e os resumos de trabalhos acadêmicos  - como eu fiz aí em cima. Se vocês clicarem em cada exemplo, verão que eles levarão a um ensaio cujo título é a aplicação direta da minha explicação. (eu sou muito legal mesmo!!!)
 
Gente, com isso eu não quero dizer q as idéias que eu recebi não eram boas, eram sim, mas estavam muito amplas. 
No mais, tentem pensar sobre isso, mas não deixem de me escrever!


segunda-feira, 28 de março de 2011


Temor vs Angústia

Pessoal, essa é uma versão mais ampliada do verbete que eu inseri lá no Glossário Heidegger da plataforma moodle. 

Tem vários exemplos. Aproveitem aí!!!

“O temor descobre o mundo de uma maneira especial e está próximo, ainda que distinto, de Angst (“angustia, ansiedade, desconforto”): “O temor é angústia decaída no ‘mundo’, inautêntico e descoberto para si mesmo como angústia”. O que eu temo é um ente dentro do mundo, por exemplo uma broca de dentista. Este ente é “prejudicial”. Prejuízo é o “modo de sua conjuntura”. O prejuízo é de um tipo definido, dor de dente, e vem de uma região definida, o dentista. A região e o que vem dela me são familiares como “amedrontadores”. A broca ainda não está no meu dente ou nervo, mas está se aproximando. Já está próxima. (A consulta do mês seguinte não me incomoda.) Ela ameaça, mas não é certo que chegue. Eu posso não precisar de uma obturação; pode ser que não doa se eu precisar. A incerteza persiste até o último momento. A incerteza intensifica meu temor.
Eu não temo a broca simplesmente por causa da dor que eu espero. Algumas pessoas não temem a broca do dentista, algumas talvez não temam nada. Elas podem esperar a mesma intensidade de dor que eu espero, mas não a consideram temível e não lhe dão a mesma atenção que dou. (Já que não tenho medo de aranhas, não receio de aproximar da pia quando há uma se escondendo lá, nem “espero” deparar-me com uma, apesar de não se improvável que eu a encontre.) O temor não é apenas um sentimento interno; ele abre um mundo de ameaças potenciais. O meu medo letárgico, minha suscetibilidade ao temor, “já descobriu o mundo como uma esfera da qual o temeroso pode aproximar-se”. Eu temo por mim mesmo DASEIN. Mesmo que eu tema por minha “casa e lar” eu temo por mim mesmo enquanto “ser-junto-a que tem uma conjuntura”. Se temo por outros, eu também “temo por mim mesmo”; aquilo que eu tenho medo é “de meu ser-com o outro, que poderia ser arrancado de mim”. (Como eu temo por mim mesmo, se compor um seguro de vida ao temer o futuro de minha família?)
O temor é, portanto, um estado em que alguém se encontra; ele descobre o mundo, o ser lançado nele de alguém, e a conjuntura de entes dentro dele.  

INWOOD, Michael. Dicionário Heidegger. Tradução de Luiza Buarque de Holanda. Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar, 2002. p. 8-10.

quinta-feira, 24 de março de 2011


Só pra esclarecer

Gente, o que foi essa confusão no início do meu semestre?! Matrículas erradas, problemas com material das disciplinas, burocracia para o recebimento de bolsa... ufa!! Como já disse a vocês, claro que isso não é justificativa pro meu sumiço, né! E por reconhecer a minha falha, procurei material extra, bem legal, pra facilitar as últimas tarefas do prof. Daniel e manhã ou depois eu posto umas coisinhas sobre angústia.



A Coisa, a coisa e outras coisinhas

Então, me parece que esse último módulo deixou vocês um pouco confusos. Ele foi mais conceitual e é aquela história, trabalhar com conceitos é trabalhar com abstrações. Mas a última webconf do prof esclarece bem o texto. Quem ainda tem muita dúvida sobre o assunto, sugiro que a assista novamente, mas eu também deixo aqui alguns comentários chave que anotei vendo a webconf. 

ψ    Problema ético fundamental, para a psicanálise, está ligado as zonas erógenas do corpo. Portanto não é um experiência cognitiva, ou seja, do conhecimento, mas tem relação com o desejo.

ψ    Para filosofia:
Ética aristotélica - vida ética alcançar um bem  (a felicidade);
Kant - ética do dever que nos permite alcançar a virtude;
Um bem, a virtude para a psicanálise são pensados como coisa.

ψ    A Coisa, para psicanálise, é o objeto de satisfação primordial.
A perda da coisa primordial produz um vazio constitutivo. A partir daí, o sujeito procura preencher esse furo e, então, ele procurar coisas para tamponar essa falta.

ψ    Lacan: algo se organiza em torno de um vazio. Não há uma representação que consiga alcançar A Coisa - é falta, é vão.
A perda da coisa é tamponada pela ética
Objeto de satisfação única não existe, a pulsão única não existe só as pulsões parciais existem.

ψ    Lacan 5 pulsões parciais - para Freud o problema da ética é o problema das zonas erógenas
As 5 são: escópica, invocante, oral, anal, (gente, falta uma, me ajudem a lembrar!)
Pulsões parciais se satisfazem com pequenos objetos

ψ    Para Lacan essa é a pergunta ética fundamental em psicanálise:
Agiste em conformidade com seu desejo?

ψ    Não há desejo sem lei, não há gozo sem limites, para que haja gozo tem que haver limite.  Não há satisfação absoluta.

ψ    Sublimação é o que permite alcançar o objeto de satisfação por outras vias; a satisfação de uma pulsão por outras vias. Isso é a ética em psicanálise: ter que se haver com o próprio desejo e as barreiras que o interditam. Estabelecer um saber fazer, não saber o que fazer. Portanto a ética em psicanálise não é uma ética da prudência, do dever, uma ética utilitária, é uma ética do desejo.

ψ    Relações com nossas zonas erógenas é o que estabelece nossa relação com o mundo.

Pessoal, agora só não vale copiar essas frases e colar no trabalho de vocês, né!
E também não vale ficar com dúvida. Comente aí no blog, que é um espaço mais alternativo, livre dos olhos dos professores, mandem email...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ética

Pessoal, a atividade 6 do segundo módulo da disciplina do professor Daniel me pegou! Fiquei um bom tempo pesquisando e recorrendo aos meus colegas pra saber se o que eu havia compreendido era o correto. Explico pra vocês o motivo da minha dificuldade: a exigência de um conhecimento mínimo em filosofia. Pessoal, espero que as aulas de introdução a filosofia de vocês na graduação tenham sido boas. E quem não teve essa disciplina, provavelmente, terá uma dificuldade a mais. Portanto, só dessa vez (não se acostumem, hein!), resolvi dar um empurrãozinho. 

A atividade 6 consiste em trabalhar uma noção de ética e contrapô-la ao que já compreendemos como a ética da psicanálise. Bom, deixo aqui algumas noções de ética de alguns filósofos, mas aviso aos webnavegantes que são noções rápidas e bem, bem sintéticas. É só um empurrãozinho mesmo.  Uma boa dica é seguir o mesmo exemplo do texto. O prof. faz um paralelo entre a ética kantiana e a ética da psicanálise. Na segunda web conferência ele fala mais sobre isso, e olha que coisa boa eu já deixo aqui pra vocês, procurem direto nos 17 minutos da web, é quando ele começa a fala sobre Kant. (Fala sério, eu sou muuuuito legal!!)


Com a palavra os comentadores:

CHAUÍ, Marilena. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles. Vol. 1. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 295 e 440.

Ética platônica
“Qual a tarefa da ética da parte racional? Dominar as outras duas partes [são elas a função apetitiva e a função colérica], e harmonizá-las com a razão. O domínio da razão sobre a função apetitiva é uma virtude e seu nome é a temperança (sophrosýne) – a moderação. A alma temperante ou moderada é aquela que não cede a todos os impulsos e prazeres, e sim modera seus apetites, imponde-lhes a medida oferecida pela razão.”
Obs.: a atividade ética, em Platão, é um esforço, luta e exigência de domínio pela parte superior e melhor. 

Ética aristotélica
“A ética é uma ciência prática ou uma ciência da práxis humana, isto é, um saber que tem por objeto a ação. Difere, portanto, da metafísica e da física ou filosofia da natureza, que são ciências teoréticas, ciências que não criam seus objetos, mas apenas os contemplam. No entanto, há um ponto comum entre ética e as ciências teoréticas, uma vez o que o homem é um ser natural que segue os princípios e causas de acordo com a phýsis: como tudo na natureza, o homem age tendo em vista um fim ou uma finalidade e, portanto, ao agir, atualiza potências para realizar plenamente sua forma. Em outraa palavras, embora a práxis seja objeto de um saber prático, seu pressuposto é a natureza humana como tal.”

Obs.: para Aristóteles, as atividades que possuem nelas mesmas os seus fins são a ética e a política e aquelas cujo fim é uma obra diferente das próprias atividades realizadas são as artes ou as técnicas.




STEGMÜLLER, Wolfgang. A filosofia contemporânea: introdução crítica. São Paulo: Edusp, 1977. p. 20.

 Ética dos existencialistas
“Para a filosofia existencialista, todo o problema da ética, como tal, deslocou-se. Não se trata mais do bem objetivo, daquilo que tem valor absoluto, de uma hierarquia de escalas de valores. No lugar de uma graduação contínua do bem, numa de cujas extremidades está o mal puro e simples e, na outra, o bem perfeito, entra uma alternativa sem possibilidade de graduação: o homem só pode existir como não autêntico ou como autêntico. E o problemas consiste em como fazer com que o homem que, na maioria dos casos, existe de maneira não autêntica e se dilui meramente no mundo, sinta a possibilidade da autenticidade da sua existência, que o arranca da perdição no mundo e o eleva à verdadeira existência própria.”

E aí, gente, ajudei?! Comenta aí!!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Aos ensaístas

Pra quem está com dificuldades em saber que coisa é essa chamada ensaio, mando aí algumas dicas. 

O ensaio é um modo de falar, sobre determinado assunto, de maneira mais livre do que em uma monografia, por exemplo. O professor Safatle, que vocês já conhecem, escreve ensaios para revista Cult. Quem ainda não leu, leia. Vale a pena!


Percebam que ele fala sobre algo sem muito aprofundamento teórico, e como é pra uma revista de ampla circulação, esse ensaio é bem informal mas não deixa de ser um exercício de interpretação sobre um tema. 

Um exemplo mais acadêmico, que deixo aqui (é só clicar!), é um ensaio que eu escrevi no meu mestrado em literatura (vixe, e faz tempo isso, hein?!). Esse é mais formal, com citações nas normas da ABNT, mas mantém o mesmo estilo: uma interpretação sobre um tema sem muito aprofundamento teórico. Gente, mas atenção, não confundam pouco aprofundamento teórico com opiniões pessoais (ou puro achismo). Quando eu falo de pouco aprofundamento teórico estou usando como referência uma monografia (que vocês terão que fazer logo, logo), ou uma dissertação de mestrado. Estamos entendidos?!

O ensaio que eu envio é grande, tem umas 10 páginas. O de vocês só precisa de 1 ou 2 páginas. (eita, coisa boa!) As normas da ABNT não estão lá muito rigorosas. 


Ah, e outro detalhe importante é que o ensaio de vocês já tem tema definido pelo professor! Lembrem de olhar a plataforma.


DICA!

Gente, qual a diferença entre ensaio, monografia, crônica, fichamento e crítica??? Pra gente não ficar quebrando a cabeça com esse tipo de coisa (e no final das contas acabar confundindo bife à milanesa com bife ali na mesa), mando a dica de um manual super fácil para esclarecer essas dúvidas e outras tantas mais. 


Deve ter lá no Estante Virtual!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


As estrelas descem à terra

Esse é o título de um ensaio, recentemente traduzido para o português, do filósofo alemão Theodor Adorno. O livro foi lançado aqui no Brasil pela editora Unesp. Pessoal, Adorno possui trabalhos muito importantes sobre a sociedade de consumo. Acho difícil pensar o assunto proposto pelo professor Daniel sem, ao menos, fazer menção ao pensamento desse filósofo. No As estrelas descem à terra Adorno faz uma análise das colunas de astrologia, isso mesmo, astrologia, do jornal norte-americado Los Angeles Times. Ele acompanha essa coluna por mais ou menos um mês e a analisa mobilizando “crítica social e psicanálise freudiana a fim de expor como a ideologia do capitalismo tardio tem a força de configurar até mesmo o que dizem os astros”.  É um livro pequeno, tem 191 páginas, e a leitura é tranquila. Quem tiver interesse, eu recomendo dmais! 


DICA!

Fora os livros e ensaios que temos disponíveis na internet, mando aí outra fonte para aquisição de material, um portal que reúne vários sebos em todo o país chamado Estante Virtual. Quem ainda não conhece, sugiro um pulo lá urgentemente. O Estante é hiper confiável, sou cliente assídua por lá, os livros chegam em ótimo estado e o preço é até 70% mais barato se comparado com as livrarias virtuais e livrarias físicas!

Deixo o link:


Voltando ao assunto...

Não posso postar material lá no moodle, por isso aproveito o blog pra abusar um pouquinho: postar e comentar algumas coisinhas.
Gente quero mostrar pra vocês o quanto o livro do Adorno, As estrelas descem à terra (que de agora em diante só vou chamar de Estrelas) é interessante. Selecionei aqui um trecho em que Rodrigo Duarte, um ótimo pesquisador da obra de Adorno, comenta alguns trecho do Estrelas.  
“Adorno chama atenção para uma espécie de fetichização dos eletrodomésticos (tvs de led pra citar um exemplos super em voga) e eletroportáteis (celulares, Ipads, notbooks...), como se eles fossem a salvação das vidas prejudicadas dos leitores típicos da coluna (de astrologia). É evidente que, à primeira vista, impera, apenas de modo não tão declarado, a mesma lógica das estridentes propagandas televisivas de lava-roupas ou lava-louças, mas há algo mais do que isso, na medido em que o fetichismo dos gadgets (pra quem não sabe, são aparelhos eletrônicos: ipods, celulares, mp3, 4...10 e assim por diante) pode ser uma reação regressiva à percepção, pelas pessoas comuns, de seu próprio estado de reificação:
 ‘Parece que o tipo de regressão característica das pessoas que não se sentem mais como se fossem sujeitos capazes de determinar seu próprio destino é concomitante com uma atitude fetichista relativamente às mesmas condições que tendem a desumanizá-las. Quanto mais elas são gradualmente transformadas em coisas, mais elas investem as coisas com uma aura humana.”

Dá o que pensar, né?! Lembrem da história do esquilo da Era do gelo. Não parece a vocês que acontece uma inversão: o esquilo não se importa com ele mesmo, ele esquece de si mesmo em sua busca pela noz. Mas a noz não é qualquer uma, é aquela. É um indivíduo, é a noz dele. É meio como trabalhar duramente por um ano, economizando cada centavo, forçando-se por reduzir suas necessidades pessoais, só pra comprar aquele carro, não qualquer um, mas aquele que te fará realizado. 

Mas aquele carro é igual a todos os outros enquanto instrumento para locomoção, não é?!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


A psicanálise vai ao cinema

Gente, esse ano começo meu doutorado em filosofia (e estou super feliz!!) na UFMG. Minha pesquisa é voltada para estética e filosofia da arte, então achei divertido quando o prof. Daniel resolveu trabalhar um pouco com cinema na disciplina dele. Já digo logo que não sou cinéfila, mas curto um cineminha. E vocês, não?? 
 
Então, gente, lembrei de uma animação muito bonita As bicicletas de Belleville. É bem diferente. Quem tem filhos, sobrinhos, netinhos podem convidá-los pra ver com vocês.
A animação é belga, canadense e francesa, mas quase não tem diálogo. É de 2003 e dá pra encontrar em boas locadoras, mas se não encontrarem, baixem da internet. É bem facinho!!

E vocês, o que sugerem? Postem aí!
 
Ah, e se assistirem As bicicletas..., não deixem de postar aqui a opinião de vocês sobre o filme.  
 
  

DICA!

Gente, vocês já conhecem uma locadora virtual chamada NetMovies?? Ow (interjeição mineira que não quer dizer nada, é só pra chamar atenção ao início de uma frase), vale muito a pena essa locadora. O acervo de filmes é enorme e alguns deles você pode assistir online, sem precisar fazer nenhum tipo de download. É só clicar e ver!! Quem tem uma internet razoável, consegue assistir os filmes numa boa. E quem não tem, é só se associar que eles entregam os filmes em casa e por um preço mais barato que os de muitas locadoras por aí. Bom, né?!

O endereço tá aí:

Gostou? Diz aí!