quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


As estrelas descem à terra

Esse é o título de um ensaio, recentemente traduzido para o português, do filósofo alemão Theodor Adorno. O livro foi lançado aqui no Brasil pela editora Unesp. Pessoal, Adorno possui trabalhos muito importantes sobre a sociedade de consumo. Acho difícil pensar o assunto proposto pelo professor Daniel sem, ao menos, fazer menção ao pensamento desse filósofo. No As estrelas descem à terra Adorno faz uma análise das colunas de astrologia, isso mesmo, astrologia, do jornal norte-americado Los Angeles Times. Ele acompanha essa coluna por mais ou menos um mês e a analisa mobilizando “crítica social e psicanálise freudiana a fim de expor como a ideologia do capitalismo tardio tem a força de configurar até mesmo o que dizem os astros”.  É um livro pequeno, tem 191 páginas, e a leitura é tranquila. Quem tiver interesse, eu recomendo dmais! 


DICA!

Fora os livros e ensaios que temos disponíveis na internet, mando aí outra fonte para aquisição de material, um portal que reúne vários sebos em todo o país chamado Estante Virtual. Quem ainda não conhece, sugiro um pulo lá urgentemente. O Estante é hiper confiável, sou cliente assídua por lá, os livros chegam em ótimo estado e o preço é até 70% mais barato se comparado com as livrarias virtuais e livrarias físicas!

Deixo o link:


Voltando ao assunto...

Não posso postar material lá no moodle, por isso aproveito o blog pra abusar um pouquinho: postar e comentar algumas coisinhas.
Gente quero mostrar pra vocês o quanto o livro do Adorno, As estrelas descem à terra (que de agora em diante só vou chamar de Estrelas) é interessante. Selecionei aqui um trecho em que Rodrigo Duarte, um ótimo pesquisador da obra de Adorno, comenta alguns trecho do Estrelas.  
“Adorno chama atenção para uma espécie de fetichização dos eletrodomésticos (tvs de led pra citar um exemplos super em voga) e eletroportáteis (celulares, Ipads, notbooks...), como se eles fossem a salvação das vidas prejudicadas dos leitores típicos da coluna (de astrologia). É evidente que, à primeira vista, impera, apenas de modo não tão declarado, a mesma lógica das estridentes propagandas televisivas de lava-roupas ou lava-louças, mas há algo mais do que isso, na medido em que o fetichismo dos gadgets (pra quem não sabe, são aparelhos eletrônicos: ipods, celulares, mp3, 4...10 e assim por diante) pode ser uma reação regressiva à percepção, pelas pessoas comuns, de seu próprio estado de reificação:
 ‘Parece que o tipo de regressão característica das pessoas que não se sentem mais como se fossem sujeitos capazes de determinar seu próprio destino é concomitante com uma atitude fetichista relativamente às mesmas condições que tendem a desumanizá-las. Quanto mais elas são gradualmente transformadas em coisas, mais elas investem as coisas com uma aura humana.”

Dá o que pensar, né?! Lembrem da história do esquilo da Era do gelo. Não parece a vocês que acontece uma inversão: o esquilo não se importa com ele mesmo, ele esquece de si mesmo em sua busca pela noz. Mas a noz não é qualquer uma, é aquela. É um indivíduo, é a noz dele. É meio como trabalhar duramente por um ano, economizando cada centavo, forçando-se por reduzir suas necessidades pessoais, só pra comprar aquele carro, não qualquer um, mas aquele que te fará realizado. 

Mas aquele carro é igual a todos os outros enquanto instrumento para locomoção, não é?!

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