segunda-feira, 28 de março de 2011


Temor vs Angústia

Pessoal, essa é uma versão mais ampliada do verbete que eu inseri lá no Glossário Heidegger da plataforma moodle. 

Tem vários exemplos. Aproveitem aí!!!

“O temor descobre o mundo de uma maneira especial e está próximo, ainda que distinto, de Angst (“angustia, ansiedade, desconforto”): “O temor é angústia decaída no ‘mundo’, inautêntico e descoberto para si mesmo como angústia”. O que eu temo é um ente dentro do mundo, por exemplo uma broca de dentista. Este ente é “prejudicial”. Prejuízo é o “modo de sua conjuntura”. O prejuízo é de um tipo definido, dor de dente, e vem de uma região definida, o dentista. A região e o que vem dela me são familiares como “amedrontadores”. A broca ainda não está no meu dente ou nervo, mas está se aproximando. Já está próxima. (A consulta do mês seguinte não me incomoda.) Ela ameaça, mas não é certo que chegue. Eu posso não precisar de uma obturação; pode ser que não doa se eu precisar. A incerteza persiste até o último momento. A incerteza intensifica meu temor.
Eu não temo a broca simplesmente por causa da dor que eu espero. Algumas pessoas não temem a broca do dentista, algumas talvez não temam nada. Elas podem esperar a mesma intensidade de dor que eu espero, mas não a consideram temível e não lhe dão a mesma atenção que dou. (Já que não tenho medo de aranhas, não receio de aproximar da pia quando há uma se escondendo lá, nem “espero” deparar-me com uma, apesar de não se improvável que eu a encontre.) O temor não é apenas um sentimento interno; ele abre um mundo de ameaças potenciais. O meu medo letárgico, minha suscetibilidade ao temor, “já descobriu o mundo como uma esfera da qual o temeroso pode aproximar-se”. Eu temo por mim mesmo DASEIN. Mesmo que eu tema por minha “casa e lar” eu temo por mim mesmo enquanto “ser-junto-a que tem uma conjuntura”. Se temo por outros, eu também “temo por mim mesmo”; aquilo que eu tenho medo é “de meu ser-com o outro, que poderia ser arrancado de mim”. (Como eu temo por mim mesmo, se compor um seguro de vida ao temer o futuro de minha família?)
O temor é, portanto, um estado em que alguém se encontra; ele descobre o mundo, o ser lançado nele de alguém, e a conjuntura de entes dentro dele.  

INWOOD, Michael. Dicionário Heidegger. Tradução de Luiza Buarque de Holanda. Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar, 2002. p. 8-10.

quinta-feira, 24 de março de 2011


Só pra esclarecer

Gente, o que foi essa confusão no início do meu semestre?! Matrículas erradas, problemas com material das disciplinas, burocracia para o recebimento de bolsa... ufa!! Como já disse a vocês, claro que isso não é justificativa pro meu sumiço, né! E por reconhecer a minha falha, procurei material extra, bem legal, pra facilitar as últimas tarefas do prof. Daniel e manhã ou depois eu posto umas coisinhas sobre angústia.



A Coisa, a coisa e outras coisinhas

Então, me parece que esse último módulo deixou vocês um pouco confusos. Ele foi mais conceitual e é aquela história, trabalhar com conceitos é trabalhar com abstrações. Mas a última webconf do prof esclarece bem o texto. Quem ainda tem muita dúvida sobre o assunto, sugiro que a assista novamente, mas eu também deixo aqui alguns comentários chave que anotei vendo a webconf. 

ψ    Problema ético fundamental, para a psicanálise, está ligado as zonas erógenas do corpo. Portanto não é um experiência cognitiva, ou seja, do conhecimento, mas tem relação com o desejo.

ψ    Para filosofia:
Ética aristotélica - vida ética alcançar um bem  (a felicidade);
Kant - ética do dever que nos permite alcançar a virtude;
Um bem, a virtude para a psicanálise são pensados como coisa.

ψ    A Coisa, para psicanálise, é o objeto de satisfação primordial.
A perda da coisa primordial produz um vazio constitutivo. A partir daí, o sujeito procura preencher esse furo e, então, ele procurar coisas para tamponar essa falta.

ψ    Lacan: algo se organiza em torno de um vazio. Não há uma representação que consiga alcançar A Coisa - é falta, é vão.
A perda da coisa é tamponada pela ética
Objeto de satisfação única não existe, a pulsão única não existe só as pulsões parciais existem.

ψ    Lacan 5 pulsões parciais - para Freud o problema da ética é o problema das zonas erógenas
As 5 são: escópica, invocante, oral, anal, (gente, falta uma, me ajudem a lembrar!)
Pulsões parciais se satisfazem com pequenos objetos

ψ    Para Lacan essa é a pergunta ética fundamental em psicanálise:
Agiste em conformidade com seu desejo?

ψ    Não há desejo sem lei, não há gozo sem limites, para que haja gozo tem que haver limite.  Não há satisfação absoluta.

ψ    Sublimação é o que permite alcançar o objeto de satisfação por outras vias; a satisfação de uma pulsão por outras vias. Isso é a ética em psicanálise: ter que se haver com o próprio desejo e as barreiras que o interditam. Estabelecer um saber fazer, não saber o que fazer. Portanto a ética em psicanálise não é uma ética da prudência, do dever, uma ética utilitária, é uma ética do desejo.

ψ    Relações com nossas zonas erógenas é o que estabelece nossa relação com o mundo.

Pessoal, agora só não vale copiar essas frases e colar no trabalho de vocês, né!
E também não vale ficar com dúvida. Comente aí no blog, que é um espaço mais alternativo, livre dos olhos dos professores, mandem email...